Ligue-se à APES através das redes sociais
facebook
linkedin
twitter
  • HOME
  • APES
    • Objetivos e Enquadramento
    • Estatutos
    • Relatórios de atividades e de Contas
    • Órgãos Sociais
    • Programa da Direção
    • Comité de Investigadores em Início de Carreira
    • Associações Internacionais
  • ATIVIDADES
    • Conferências APES
      • 19.ª Conferência Nacional de Economia da Saúde
    • Workshops APES
      • 11.º Workshop APES: Economia e Política de Saúde
    • Prémios & Bolsas
    • Cursos & Formações
      • Formação Académica
    • Seminários & Investigação
    • Debates & Iniciativas
  • ASSOCIADOS
    • Associados Institucionais e Parcerias
  • COMUNICAÇÃO
    • Agenda APES
    • Notícias
    • Newsletter
    • Artigos de Opinião
  • CONTATOS

Irá a COVID-19 alterar a governação na saúde? Primeiras impressões

15 Abril, 2020
by Luís Filipe
APES #COVID19PT
Comments are off

É curioso como, em poucos dias, a COVID-19 conseguiu alterar o panorama da governação dos hospitais do SNS, que passou da regulamentação e centralização quase totais a um modelo de autonomia dificilmente imaginável no mês anterior.

Quais eram as regras em vigor até janeiro? (refiro-me às normas em vigor em 2019, de acordo com o Decreto-Lei de Execução Orçamental e outros documentos legais): os hospitais EPE (Entidade Pública Empresarial) não podiam assumir compromissos de despesa plurianuais sem autorização, com exceções muito restritivas; não podiam assumir sem autorização compromissos de despesa sem fundos disponíveis (objetivo quase impossível para a maioria deles, submergidos em milhões de euros em dívidas vencidas); não podiam assumir sem autorização investimentos além de determinados valores; não podiam contratar sem autorização exceto em casos muito restritivos. Investimentos e contratações eram permitidos sem autorização prévia caso os hospitais tivessem tido os seus Planos de Atividade e Orçamento (PAO) aprovados, o que, em 2019, apenas tenha sido o caso para pequena minoria.

Resumindo, os Conselhos de Administração tinham uma autonomia extremamente limitada para gerir os seus hospitais, sendo obrigados a solicitar autorizações, geralmente demoradas, para tomar decisões relevantes.

Dois decretos-lei, de 13 e 24 de março de 2020, alteraram esta situação, criando um “regime excecional de autorização de despesa para a resposta à pandemia”, nomeadamente (e resumidamente): a despesa passou a ser autorizada pela DGS ou ACSS, foi flexibilizada a possibilidade de ajuste direto, a compra sem autorização prévia foi permitida desde que abrangida pela compra centralizada, e foi criado um processo de deferimento acelerado de despesas e contratações curtas sujeitas à autorização prévia.

Ao contrário do que era expectável no período pré-COVID, a devolução de competências não se acompanhou de maior responsabilização. Não era, certamente, altura para pensar nisto. Mas quando haja tempo para refletir sobre o bimómio autonomia/responsabilização, esperemos que surja com um olhar diferente.

Para quem pensa apenas na eficiência, a pandemia deixa claro que os cuidados de saúde terão sempre uma dose de ineficiência, por causa da necessidade de manter o acesso inclusive em alturas e locais de baixa procura; é o preço da incerteza e da equidade. Esta incerteza também se reflete nas práticas clínicas, face a um vírus desconhecido, e na incapacidade do setor privado de assumir a sua complementaridade sem apoio do Estado.  A pandemia também mostra a falta de alguns dos melhores profissionais de saúde, investigadores ou gestores, perdidos para outros horizontes. Para trazer/reter estes talentos, são necessárias boas condições de trabalho, flexibilidade contratual e espírito de abertura.

Para quem não acredita nem que existam problemas de gestão no SNS, nem que os gestores devam ser responsabilizados, também há possíveis lições: a pandemia demonstra a importância de sistemas de informação interligados e harmonizados, do planeamento dos equipamentos e infraestruturas, da existência de cuidados integrados (entre saúde pública, cuidados de saúde primários e continuados, e hospitais), da criação de redes horizontais entre prestadores geograficamente próximos, ou da compra centralizada ágil.

Neste momento o futuro parece suspenso, aguarda-se com impaciência o seu regresso.

Julian Perelman

Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa

Autor
Partilha nas Redes Sociais

Destaques

Patrocinadores 11.º Workshop APES
29 Jul, 2026
Opinião ”Importar um Preço que Sobe: a Política de Preços de Medicamentos Most Favored Nation" | Pedro Pita Barros, Giovanni Righetti e Luís Sá
09 Jul, 2026
Atualização da Parceria APES E NIPE
14 Mai, 2026
Opinião ”Quanto custa o medo das crianças ao SNS? O impacto invisível da ansiedade pré-operatória na eficiência do sistema | Inês Esteves
13 Mai, 2026
Opinião ”O custo da desintegração no SNS: coordenação de cuidados como imperativo de desempenho” | Francisco Madeira
22 Abr, 2026
Logótipo APES

Contatos APES

Associação Portuguesa de Economia da Saúde

Escola Nac. de Saúde Pública - UNL,
Av. Padre Cruz, 1600-560 Lisboa

apes@apes.pt
Enviar Mensagem

2015 Copyright | Todos os Direitos Reservados | Associação Portuguesa de Economia da Saúde (APES)
www.UnoWork.pt | Serviços Integrados