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Os hábitos alimentares durante a pandemia da COVID-19

11 Junho, 2020
by Luís Filipe
APES #COVID19PT
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O crescimento e desenvolvimento económico estão sujeitos a uma série de choques que afetam a segurança alimentar e a nutrição das populações mais vulneráveis. Uma crise à escala mundial, como a da COVID-19, é disso exemplo consistindo num choque externo com consequências ao nível do bem-estar e gerando desemprego e perda de rendimento generalizada.

Ainda que as consequências económicas da pandemia já se façam sentir, até ao momento pouco se tem discutido o impacto da pandemia na segurança e hábitos alimentares dos portugueses. Dados do Barómetro COVID-19, o primeiro inquérito sobre o COVID-19 da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Universidade Nova de Lisboa, apontam para um aumento do consumo de álcool e comida menos saudável como consequência do confinamento relativo à crise pandémica.1

A capacidade de fazer face a um choque desta magnitude depende em parte da taxa de poupança dos indivíduos. Em Portugal, a taxa de poupança em percentagem do rendimento disponível das famílias é de -2.05%.2 Uma taxa de poupança negativa significa que os portugueses já utilizavam as suas poupanças ou recorriam ao credito para fazer face a despesas regulares e inevitáveis. Deixando pouca ou nenhuma margem financeira para fazer face a um choque desta magnitude, sobretudo no que toca às famílias mais desfavorecidas que despendem uma maior percentagem do seu rendimento disponível em alimentação.

A experiência recente indica que os indivíduos, face a uma perda de rendimento, conseguem manter a qualidade das dietas e a ingestão diária de calorias substituindo despesa por tempo despendido na procura de bens substitutos com preço inferior, implicando grandes mudanças nos hábitos alimentares.3-6

Contudo, o contexto de confinamento social coloca barreiras acrescidas aos indivíduos. Por um lado, o isolamento aumenta os níveis de stress e ansiedade intimamente relacionados com uma alimentação menos saudável.7 Pelo o outro, a capacidade dos indivíduos fazerem face ao choque económico aumentando o esforço de procura por bens alimentares substitutos mais baratos encontra-se diminuída. O acesso e a disponibilidade de alimentos são particularmente vulneráveis às implicações do surto pandémico, principalmente devido às dificuldades no transporte, distribuição e entrega impossibilitando estratégias individuais para fazer face à perda de rendimento.8 Esta situação conduziu ao açambarcamento de bens alimentares, permitindo aos que dispõem de mais recursos a possibilidade de acumular mais do que precisam causando consequências devastadoras para as populações mais desfavorecidas, provocando escassez e aumentando o preço.9

A diminuição da qualidade da alimentação das famílias, tendo em conta que os efeitos desta crise serão persistentes, terá consequências significativas ao nível da saúde dos portugueses com o aumento do risco de obesidade e doenças cardiovasculares.10  O impacto da pandemia na nutrição e nos hábitos alimentares já ultrapassou as famílias e as comunidades, para se tornar um problema de carácter nacional e global. Esta interdependência torna a saúde de cada indivíduo uma função direta das suas escolhas, das escolhas da comunidade, do envolvimento governamental e, em última analise, da resposta global a esta temática. É portanto, urgente identificar as consequências da pandemia ao nível da nutrição em Portugal e desenvolver uma plataforma de ação que as permita mitigar.

Tiago Matos

Center for Primary Care and Public Health (Unisanté),

University of Lausanne, Switzerland

 

  1. Carvalho, Catarina (18 de Abril de 2020). Confinamento levou ao maior consumo de álcool e comida pouco saudável. Diário de Noticias , pag. 20.
  2. Dados da OCDE. https://data.oecd.org/hha/household-savings.htm
  3. Ásgeirsdóttir, T. L., Corman, H., Noonan, K., Ólafsdóttir, Þ., & Reichman, N. E. (2014). Was the economic crisis of 2008 good for Icelanders? Impact on health behaviors. Economics & Human Biology, 13, 1-19.
  4. Griffith, R., O’Connell, M., & Smith, K. (2015). Relative prices, consumer preferences, and the demand for food. Oxford Review of Economic Policy, 31(1), 116-130.
  5. Griffith, R., O’Connell, M., & Smith, K. (2016). Shopping around: how households adjusted food spending over the Great Recession. Economica, 83(330), 247-280.
  6. Aguiar, M., & Hurst, E. (2005). Consumption versus expenditure. Journal of political Economy, 113(5), 919-948.
  7. Anton, S. D., & Miller, P. M. (2005). Do negative emotions predict alcohol consumption, saturated fat intake, and physical activity in older adults?. Behavior modification, 29(4), 677-688.
  8. Vallianatos, M., Azuma, A. M., Gilliland, S., & Gottlieb, R. (2010). Peer Reviewed: Food Access, Availability, and Affordability in 3 Los Angeles Communities, Project CAFE, 2004-2006. Preventing chronic disease, 7(2).
  9. Kohn, S., Eaton, J. L., Feroz, S., Bainbridge, A. A., Hoolachan, J., & Barnett, D. J. (2012). Personal disaster preparedness: an integrative review of the literature. Disaster medicine and public health preparedness, 6(3), 217-231.
  10. Yousafzai, A. K., Rasheed, M. A., & Bhutta, Z. A. (2013). Annual research review: improved nutrition–a pathway to resilience. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 54(4), 367-377.
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