Ligue-se à APES através das redes sociais
facebook
linkedin
twitter
  • HOME
  • APES
    • Objetivos e Enquadramento
    • Estatutos
    • Relatórios de atividades e de Contas
    • Órgãos Sociais
    • Programa da Direção
    • Comité de Investigadores em Início de Carreira
    • Associações Internacionais
  • ATIVIDADES
    • Conferências APES
      • 19.ª Conferência Nacional de Economia da Saúde
    • Workshops APES
      • 11.º Workshop APES: Economia e Política de Saúde
    • Prémios & Bolsas
    • Cursos & Formações
      • Formação Académica
    • Seminários & Investigação
    • Debates & Iniciativas
  • ASSOCIADOS
    • Associados Institucionais e Parcerias
  • COMUNICAÇÃO
    • Agenda APES
    • Notícias
    • Newsletter
    • Artigos de Opinião
  • CONTATOS

Opinião ”Saúde Intergeracional Justa e Equitativa: Perspetivas, Abordagens e Indicadores ” | Aida Isabel Tavares

04 Fevereiro, 2026
by Luís Filipe
Comments are off

 

Saúde Intergeracional Justa e Equitativa: Perspetivas, Abordagens e Indicadores

A saúde intergeracional constitui um conceito central na reflexão sobre a sustentabilidade social e a justiça entre gerações. Poder-se-á referir a este conceito como a capacidade de assegurar, no presente, condições de saúde e bem-estar que não comprometam as oportunidades das gerações futuras de alcançarem níveis iguais ou superiores de qualidade de saúde e vida. Este conceito ultrapassa a mera transmissão biológica de determinantes de saúde, abrangendo a herança social, económica e ambiental que molda as trajetórias individuais e coletivas ao longo do tempo. Assim, pensar a saúde intergeracional é refletir sobre como políticas, sistemas e escolhas públicas afetam a equidade entre quem vive hoje e quem nascerá amanhã.

A aparente simplicidade do conceito requer sublinhar que a unidade de observação é uma geração, ou coorte de nascimento, que se consegue observar e comparar em estudo ao longo da vida. Não sendo, por isso, difícil concluir da dificuldade de obter este tipo de estudo. Por outro lado, o conceito de justiça intergeracional também levanta desafios conceptuais. Numa perspetiva comutativa deverá existir uma troca em que cada geração transmite à geração seguinte, no mínimo, os recursos e condições que recebeu, ao passo que numa perspetiva distributiva a transferência para a próxima geração pode implicar que se beneficie os membros mais desfavorecidos de cada coorte, reforçando o bem-estar coletivo.

No plano de observação do indivíduo, a saúde intergeracional é analisada à luz das trajetórias de vida e das interações familiares, comunitárias e sociais. A life course approach (Houweling e Grünberger, 2024) reconhece que a saúde resulta de uma acumulação de vantagens e riscos que se iniciam antes do nascimento e se prolongam até à velhice. O investimento precoce é um instrumento de justiça intergeracional, como sejam a nutrição materna, educação parental, vacinação e promoção de estilos de vida saudáveis que têm efeitos prolongados sobre a capacidade funcional e o bem-estar futuro. A abordagem 3G (three-generation approach; Cheng et al., 2015), especialmente relevante em contextos de envelhecimento populacional e de pressão sobre os sistemas de apoio familiar, propõe analisar as interdependências entre avós, pais e filhos, evidenciando a transmissão de recursos, cuidados e influências de saúde entre gerações vivas.

Qualquer que seja abordagem, as políticas e medidas de saúde intergeracionais deverão articular diversas dimensões de análise: proteção financeira, prevenção e promoção da saúde ao longo da vida. Incluem-se também programas de saúde escolar e parental, estratégias de literacia em saúde, apoio à saúde mental infanto-juvenil, envelhecimento ativo e integração comunitária.

Do ponto de vista agregado, a saúde intergeracional poderá ser entendida como uma dimensão de sustentabilidade social ao longo do tempo. As políticas de saúde não podem ser isoladas das políticas económicas, ambientais e educacionais, pois todas influenciam a distribuição temporal dos determinantes de saúde. Emerge assim a questão de quais os indicadores de justiça intergeracional em saúde que traduzam métricas distributivas e/ou comutativas entre diferentes gerações. Esta medição enfrenta dificuldades metodológicas, dado o carácter transversal e dinâmico das relações entre gerações. Ainda assim, várias instituições internacionais têm desenvolvido instrumentos e quadros de referência que procuram operacionalizar o conceito. Em Portugal, o Índice de Justiça Intergeracional (IJI) desenvolvido pela Fundação Calouste Gulbenkian e pelo Instituto de Políticas Públicas integra uma componente dedicada ao capital de saúde (FCG, IPP e autores, 2025).

A nível global, a Organização Mundial da Saúde propõe a abordagem Health Equity in All Policies (HEiAP)(CSDH, 2008), que amplia o princípio de Health in All Policies ao incorporar a dimensão temporal e de equidade. Esta perspetiva recomenda que todas as políticas públicas, desde o urbanismo à fiscalidade, sejam avaliadas pelo seu impacto na equidade em saúde, tanto nas desigualdades sociais contemporâneas como nas repercussões futuras das gerações vindouras. Não sendo uma métrica, é um enquadramento normativo que deverá ser tomado em consideração nas políticas e análises de justiça da saúde intergeracional.

Em suma, a saúde intergeracional justa e equitativa emerge como um campo de análise e ação essencial para garantir a sustentabilidade das políticas públicas. Exige que se olhe para a saúde não apenas como um bem individual, mas como um capital coletivo transgeracional, cuja preservação e reforço dependem da solidariedade entre coortes.

Aida Isabel Tavares, ISEG e CEISUC, atavares@iseg.ulisboa.pt

APES, 2026

Referências

Cheng TL, Johnson SB, Goodman E (2016), Breaking the Intergenerational Cycle of Disadvantage: The Three Generation Approach. Pediatrics, 137(6), e20152467

CSDH (2008). Closing the gap in a generation: health equity through action on the social
determinants of health. Final Report of the Commission on Social Determinants of Health.
Geneva, World Health Organization.

FCG, IPP e autores (2025) Que futuro deixamos às próximas gerações? Um índice de justiça intergeracional para Portugal. IPP, Lisboa. Disponível em https://www.ipp-jcs.org/indice-de-justica-intergeracional/ (acesso a 12.12.2025)

Houweling TAJ, Grünberger I. J (2024) Intergenerational transmission of health inequalities:
towards a life course approach to socioeconomic inequalities in health – a review.  Epidemiology and Community Health,78,641–649.

Autor
Partilha nas Redes Sociais

Destaques

Short Course 2026 | Health Inequality Measurement, Aversion & Evaluation
07 Ago, 2026
Short Courses APES 2026 | Value of Information
07 Ago, 2026
Short Courses APES | 2026
07 Ago, 2026
Programa científico do 11.º Workshop APES já disponível
05 Ago, 2026
Patrocinadores 11.º Workshop APES
29 Jul, 2026
Logótipo APES

Contatos APES

Associação Portuguesa de Economia da Saúde

Escola Nac. de Saúde Pública - UNL,
Av. Padre Cruz, 1600-560 Lisboa

apes@apes.pt
Enviar Mensagem

2015 Copyright | Todos os Direitos Reservados | Associação Portuguesa de Economia da Saúde (APES)
www.UnoWork.pt | Serviços Integrados