Ligue-se à APES através das redes sociais
facebook
linkedin
twitter
  • HOME
  • APES
    • Objetivos e Enquadramento
    • Estatutos
    • Relatórios de atividades e de Contas
    • Órgãos Sociais
    • Programa da Direção
    • Comité de Investigadores em Início de Carreira
    • Associações Internacionais
  • ATIVIDADES
    • Conferências APES
      • 19.ª Conferência Nacional de Economia da Saúde
    • Workshops APES
    • Prémios & Bolsas
    • Cursos & Formações
      • Formação Académica
    • Seminários & Investigação
    • Debates & Iniciativas
  • ASSOCIADOS
    • Associados Institucionais e Parcerias
  • COMUNICAÇÃO
    • Agenda APES
    • Notícias
    • Newsletter
    • Artigos de Opinião
  • CONTATOS

A dormente realidade para a qual voltámos a acordar

19 Junho, 2020
by Luís Filipe
APES #COVID19PT
Comments are off

Sabemos que as desigualdades sociais se manifestam, também, em profundas desigualdades em saúde. Refletem-se não só no acesso à saúde, mas também nos seus resultados. Sabemos que as franjas mais vulneráveis da população são também as mais permeáveis a choques em saúde, com reflexos na sua esperança média de vida e na qualidade da mesma. Esta é uma realidade, não exclusivamente portuguesa, com a qual nos conformamos e, no nosso dia-a-dia, aprendemos, em maior ou menor medida, a ignorar.

Uma das mais cruéis facetas da pandemia do COVID-19 foi precisamente por a nu esta triste realidade. Acordados da nossa dormência verificamos com espanto (?) que a pandemia afeta desproporcionalmente aqueles que estão mais desprotegidos.

A região de Lisboa tem sido disso mesmo um exemplo, nestas últimas semanas. Do topo da nossa sabedoria, proclamamos a necessidade do distanciamento social, da utilização de equipamentos de proteção individual, da minimização na utilização dos transportes públicos, entre tantas outras medidas. Todas estas medidas são importantes, naquele que é um esforço conjunto de controlar a pandemia. Porém, estas mesmas medidas esbarram com a crua realidade, não sendo eficazes ou mesmo exequíveis junto dos mais pobres.

E que pobres são estes? Uma classe trabalhadora, grande parte em profissões essenciais, com baixos rendimentos, vivendo nos subúrbios de Lisboa, muitas vezes com grandes agregados familiares e em habitações pequenas e de fraca qualidade. Classe que depende dos transportes públicos, mesmo quando cheios, para chegarem ao local de trabalho. Pessoas que dependem do seu salário para comprar comida e às quais não sobra muito (ou quase nada) ao final do mês. Enfrentam a escolha impossível entre comprar comida ou máscaras, ou entre trabalhar e ficar em casa. As notícias multiplicam-se e as preocupações adensam-se com os operários da construção civil, trabalhadores da distribuição, e  tantos outros. E ainda que estes exemplos sejam da região de Lisboa, refletem uma realidade que existe dispersa por todo o  país. Os problemas de base são, porém, os mesmos. Podemos genuinamente estar surpreendidos com estas notícias?

A pandemia pôs a nu esta velha realidade. Um exemplo concreto é a multiplicação de pedidos de ajuda alimentar de cidadãos que passam fome. As assimetrias nas grandes zonas urbanas são gritantes e os sistemas de segurança social – inegavelmente importantes mas muitas vezes parcos em instrumentos e incentivos – têm falhado na missão de quebrar o ciclo de pobreza. Mesmo a rede de segurança que o sistema deveria incluir deixa escapar por entre as suas malhas milhares de cidadãos. É esta a sociedade que queremos continuar a ter? Não será esta uma boa oportunidade de repensar o nosso sistema de apoio social?

Eduardo Costa

Nova School of Business and Economics

Autor
Partilha nas Redes Sociais

Destaques

Opinião ”A nocividade da discriminação percebida e o que mudou em Portugal numa década ” | Carlota Quintal
19 Fev, 2026
Opinião ”Saúde Intergeracional Justa e Equitativa: Perspetivas, Abordagens e Indicadores ” | Aida Isabel Tavares
04 Fev, 2026
Parceria APES-AES
20 Jan, 2026
Opinião ”O SNS na fila de espera: o dilema das convenções ” | Bruno Venâncio
20 Jan, 2026
Opinião ”Subsídios aos combustíveis fósseis: um travão silencioso ao financiamento da saúde ” | Judite Gonçalves
08 Jan, 2026
Logótipo APES

Contatos APES

Associação Portuguesa de Economia da Saúde

Escola Nac. de Saúde Pública - UNL,
Av. Padre Cruz, 1600-560 Lisboa

apes@apes.pt
Enviar Mensagem

2015 Copyright | Todos os Direitos Reservados | Associação Portuguesa de Economia da Saúde (APES)
www.UnoWork.pt | Serviços Integrados