Ligue-se à APES através das redes sociais
facebook
linkedin
twitter
  • HOME
  • APES
    • Objetivos e Enquadramento
    • Estatutos
    • Relatórios de atividades e de Contas
    • Órgãos Sociais
    • Programa da Direção
    • Comité de Investigadores em Início de Carreira
    • Associações Internacionais
  • ATIVIDADES
    • Conferências APES
      • 19.ª Conferência Nacional de Economia da Saúde
    • Workshops APES
      • 11.º Workshop APES: Economia e Política de Saúde
    • Prémios & Bolsas
    • Cursos & Formações
      • Formação Académica
    • Seminários & Investigação
    • Debates & Iniciativas
  • ASSOCIADOS
    • Associados Institucionais e Parcerias
  • COMUNICAÇÃO
    • Agenda APES
    • Notícias
    • Newsletter
    • Artigos de Opinião
  • CONTATOS

COVID-19: uma oportunidade para mais justiça fiscal?

26 Junho, 2020
by Luís Filipe
APES #COVID19PT
Comments are off

A COVID-19 tem flagelado vidas, ameaçado a saúde pública, depauperado a economia. De acordo com previsões do Banco de Portugal, em 2020 o produto interno bruto português cairá 9,5%, naquela que será a maior contração da atividade económica do último século. O Governo português, numa tentativa de mitigar os efeitos nefastos da pandemia na economia, tem anunciado inúmeras medidas de apoio às empresas e aos trabalhadores, como sejam o regime de layoff simplificado ou o diferimento do pagamento de contribuições à Segurança Social pelas entidades empregadoras ou por trabalhadores independentes.

Em Portugal, ao contrário do que foi estipulado em países como a França ou a Dinamarca, as empresas com ligações a offshores vão poder beneficiar dos mecanismos de apoio excecional criados pelo Governo. Em vez de se adotar uma postura pedagógica, que punisse empresas opacas, passa-se a mensagem de que não vale de muito ter uma situação tributária regularizada, porque o Estado auxilia todos por igual. A decisão de apoiar empresas que não deixam em Portugal a sua quota-parte de impostos constitui uma afronta a todos os contribuintes honestos, a todas as entidades íntegras.

Aos instrumentos de assistência económica e social desenhados pelo Governo português, junta-se o plano da Comissão Europeia para estimular a economia do bloco, com base na solidariedade entre os estados-membros. Se todos os países partilham genuinamente dessa solidariedade, já é outra questão. De facto, os “quatro frugais” (Áustria, Dinamarca, Suécia e Países Baixos) têm-se oposto veementemente à emissão de dívida conjunta pelos 27 países da União Europeia (UE) para financiar a resposta à crise e, mais recentemente, propuseram que o fundo de recuperação da UE fosse distribuído sob a forma de empréstimos e não de subvenções. Receiam que os países do sul beneficiem indevidamente dessa ajuda. Esta posição dos Países Baixos é muito caricata!

Os Países Baixos não integram a lista da UE de jurisdições fiscais não cooperantes, é certo, mas são um paraíso fiscal velado. Se o país de Wopke Hoekstra não enveredasse por uma política fiscal agressiva, a Europa teria certamente mais margem para estabilizar a economia em momentos como o que enfrentamos. De acordo com um estudo da organização internacional Tax Justice Network (TJN), a engenharia fiscal das empresas multinacionais norte-americanas, em grande parte possibilitada pelos Países Baixos, faz com que Portugal perca anualmente um montante equivalente a aproximadamente 1,5% da despesa em saúde em Portugal. Se tivermos ainda em conta as empresas do PSI-20 que têm sede fiscal nos Países Baixos, rapidamente depreendemos que o Estado português perde quantias substanciais em impostos não arrecadados, que poderiam ser aplicados em prol do bem comum, no Serviço Nacional de Saúde ou na Educação pública. Felizmente, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico e a Comissão Europeia têm desenvolvido trabalho no sentido de aumentar os níveis de transparência da fiscalidade corporativa, bem como de a adaptar à economia digital.

A COVID-19 veio indiscutivelmente comprovar a importância do Estado social. Cidadãos e empresas voltam-se agora para o Estado, na esperança de que este lhes confira alguma confiança, na esperança de que atenue as antecipadas quebras de rendimento. Resta saber se estes cidadãos e empresas honraram as suas obrigações fiscais em tempos de bonança.

Carolina Santos

Nova School of Business and Economics

Autor
Partilha nas Redes Sociais

Destaques

Bolsa Pedro Pita Barros 2026
13 Abr, 2026
11.º Workshop APES | Call for Papers
31 Mar, 2026
Opinião ”A nova Avaliação Clínica Conjunta da União Europeia e o seu impacto nas decisões sobre o acesso ao medicamento em Portugal” | Manuel Gomes
03 Mar, 2026
Opinião ”A nocividade da discriminação percebida e o que mudou em Portugal numa década ” | Carlota Quintal
19 Fev, 2026
Opinião ”Saúde Intergeracional Justa e Equitativa: Perspetivas, Abordagens e Indicadores ” | Aida Isabel Tavares
04 Fev, 2026
Logótipo APES

Contatos APES

Associação Portuguesa de Economia da Saúde

Escola Nac. de Saúde Pública - UNL,
Av. Padre Cruz, 1600-560 Lisboa

apes@apes.pt
Enviar Mensagem

2015 Copyright | Todos os Direitos Reservados | Associação Portuguesa de Economia da Saúde (APES)
www.UnoWork.pt | Serviços Integrados