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A COVID-19 olha a géneros?

16 Junho, 2020
by Luís Filipe
APES #COVID19PT
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A COVID-19 acrescentou algumas incertezas à vida do ser humano. Além de insegurança sobre um possível contágio e declínio do estado de saúde, acrescentou incerteza no futuro económico e profissional.

As mulheres, em particular, poderão ser as mais afetadas. Se em recessões ditas “regulares” o emprego era severamente afetado, não diferenciava o trabalhador pelo género, mesmo que os homens estivessem maioritariamente associados à indústria e às tarefas de intensiva produção manual e as mulheres aos serviços3.

Com a COVID-19, em particular com as medidas de distanciamento social implementadas, muitos trabalhadores foram “empurrados” para teletrabalho ou para “layoff” levando a uma mistura potencialmente perigosa entre a vida doméstica, familiar e profissional que afeta particularmente as mulheres. Para piorar o cenário verificou-se o encerramento de escolas, centros de atividades extracurriculares e centros de dia para idosos1,3.

Sendo a mulher um pilar no desempenho de tarefas domésticas, bem como na prestação de cuidados prestados a crianças e idosos, não será difícil de imaginar situações de conflito entre estas diferentes tarefas a serem desenvolvidas em ambiente doméstico2.

Existe um mito urbano que afirma serem as mulheres multitarefa… Que conseguem realizar mais do que uma tarefa ao mesmo tempo, o que neste caso lhes permitiria conciliar as necessidades familiares com as obrigações profissionais tendo em atenção a partilha de espaços e do tempo, sem perder a concentração necessária a cada tarefa. Mesmo que fosse verdade esta situação potencia a saturação mental, o cansaço ou “burnout” e aumenta de forma significativa o risco de desemprego. Em menor escala, estes eventos poderão também acontecer a mulheres que continuaram a trabalhar presencialmente, como por exemplo profissionais de saúde ou trabalhadoras de empresas de retalho e distribuição alimentar.

Mesmo no retorno ao trabalho existirão dificuldades. Este poderá ser lento e dificultado pelas condicionantes impostas pela instabilidade económica e financeira que se verifica nas empresas o que pode levar os empresários à tentação de reduzir postos de trabalho, em especial os que estão ocupados por mulheres. A COVID-19 e em particular o teletrabalho vieram deturpar ainda mais a visão sobre a influência negativa da maternidade e da vida familiar da mulher no trabalho, acrescentando algo mais de negativo ao pensamento tradicionalmente masculino de muitos empreendedores4.

Por outro lado, a criação de novos empregos sofreu um sério revés com a pandemia. A possibilidade de “novos empregos” foi suspensa e não será difícil perceber que, no momento que forem abertos concursos, as mulheres poderão ser facilmente colocadas num patamar inferior. Temo que nem a capacidade adaptativa que as mulheres sempre demonstraram poderá funcionar como uma mais-valia à sua contratação. E tudo fica mais “estranho” se centramos a atenção no emprego em lugares de administração ou chefia na generalidade das empresas.

Como conclusões deixo três ideias, todas elas com impacto na economia:

– A primeira lembra os números de licenciadas, mestras ou doutoradas, que são significativamente maiores que os relativos ao sexo masculino, não se percebendo muito bem a razão logica de tal situação não se refletir na ocupação dos cargos de maior responsabilidade nas empresas;

– A segunda tem a ver com o trabalho que a sociedade e o estado têm de desenvolver para criar as necessárias condições de igualdade e proteção ao emprego, evitando a discriminação de género, além de garantir o reconhecimento de competências e do mérito das mulheres. Será necessário a criação de apoios sociais que retirem o constrangimento às famílias e em particular às mulheres quando estas são o principal e muitas vezes único apoio a descendentes ou ascendentes, através de creches, infantários ou lares para idosos;

– A terceira ideia tem que ver com a necessidade de sensibilização de todos e das empresas em especial para a ideia da igualdade de género com a adoção de boas práticas.

Joana Gomes da Costa

Centro de Economia e Finanças da Universidade do Porto – Faculdade de Economia da Universidade do Porto

Referências:

  1. Alon, T. M., Doepke, M., Olmstead-Rumsey, J., & Tertil, M. (2020). The Impact of COVID-19 on Gender Equality. In National Bureau of Economic Research. https://doi.org/10.1017/CBO9781107415324.004
  2. Jacobs, E., & Noonan, L. (2020). Is the coronavirus crisis taking women back to the 1950s? Finantial Times. https://www.ft.com/content/7e147d57-050e-405c-a334-75a5ea748e2a
  3. Montenovo, L., Jiang, X., Wing, C., Lozano Rojas, F., Schmutte, I. M., Weinberg, B. A., & Simon, K. I. (2020). Determinants of Disparities in COVID-19 Job Losses. In National Bureau of Economic Research. https://doi.org/10.1017/CBO9781107415324.004
  4. Sangster, E. (2020). Men: Here’s How To Be A Good Workplace Ally To Women During COVID-19. Forbes. https://www.forbes.com/sites/elissasangster/2020/04/28/men-heres-how-to-be-a-good-workplace-ally-to-women-during-covid-19/#20281b3877ae
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